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Precificação

Como calcular o custo da hora do seu escritório de arquitetura

Por Marina Dufrayer, arquiteta — método usado no próprio escritório

Quando alguém pede orçamento, a maioria dos arquitetos olha o projeto, pensa em quanto tempo vai levar, lembra do que cobrou no anterior e chuta um número que pareça justo. Às vezes dá certo. Às vezes o projeto termina com aquela sensação de ter trabalhado demais para o que recebeu — sem conseguir explicar por quê.

A explicação é quase sempre a mesma: sem saber o custo da sua hora, todo orçamento é aposta. Você pode até ganhar dinheiro, mas nunca vai saber se ganhou porque o preço estava certo ou porque teve sorte com aquele cliente.

A conta leva vinte minutos. São quatro passos.

Passo 1 — Some tudo o que o escritório gasta num mês

Tudo mesmo: aluguel, salários, o seu pró-labore (você não trabalha de graça — esse é o erro mais comum da conta), contador, as licenças do software utilizado pelo escritório, internet, energia, marketing, aquela assinatura que você paga sem pensar. O número que sai daqui é o custo fixo mensal.

Passo 2 — Conte as horas produtivas de verdade

Não são 8 horas por dia por pessoa. Tire reunião, e-mail, orçamento que não virou projeto, o tempo resolvendo pendência de obra, o cafezinho que vira alinhamento. Na prática, um escritório saudável produz entre 60% e 70% das horas contratadas. Num escritório com três pessoas, isso costuma dar algo em torno de 300–340 horas por mês.

Passo 3 — Divida um pelo outro

custo fixo mensal ÷ horas produtivas = custo da hora
R$ 18.000 ÷ 320 h = R$ 56/h

Esse é o custo — o valor abaixo do qual o escritório perde dinheiro só de abrir a porta. Ainda não é o preço.

Passo 4 — Acrescente a margem

custo da hora × (1 + margem) = preço da hora
R$ 56 × 1,43 ≈ R$ 80/h (margem de 30%)

Com o preço da hora, o orçamento deixa de ser chute: um executivo estimado em 180 horas não pode custar menos que 180 × 80 = R$ 14.400. Se o cliente não paga isso, você decide de olhos abertos — reduz escopo, ajusta prazo ou recusa. O que não dá mais é descobrir no fim que trabalhou abaixo do custo.

O incômodo vem depois da conta

Quase todo arquiteto que faz essa conta pela primeira vez descobre que cobrou abaixo do custo em vários projetos recentes. É desconfortável — e é exatamente por isso que vale fazer agora, antes da próxima proposta.

O passo seguinte é medir as horas reais de cada projeto, porque a estimativa de 180 horas também não pode ser chute. Horas medidas viram estimativas confiáveis para o próximo orçamento — e é aí que a conta fecha o ciclo.

Onde a lilia entra: ela mede as horas de cada tarefa com um cronômetro que fica sempre visível, calcula o custo real de produção por projeto e usa o histórico do seu escritório para estimar as horas do próximo. A conta deste artigo, feita sozinha e sem esforço. Teste 7 dias grátis →
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